HORA DA HORTA - SPOILER

Assim, quando batizei minha índia de “Iraê”, o fiz inspirado nos nomes indígenas de minha avô Juracy (mãe das conchas em Nheengatu ou Tupi Guarani), da tia avó Iracy (mãe do mel, ou abelha trabalhadora) , pois “IRA” em tupi-guarani significa MEL e o sufixo “Ê” significa sabor ou gosto, paladar; assim sendo, Iraê significa sabor de mel ou doce como mel , indicando a índole meiga e agradável, adocicada, desta minha personagem, que seria uma escrava indígena da etnia ou tribo TUPINAMBÀ, grupo antropófago que era aliado dos franceses, daí a personagem falar frases em idioma francês.

Minhas índias seriam colorizadas com um pigmento que eu desenvolvi usando a semente URUCUM, obtendo a coloração avermelhada-ocre mais próxima da pele dos índios, que empregavam este corante rubro por todo o corpo e eram chamados de “PELE VERMELHA”, um diferencial único que eu planejei para destacar como notícia minha HQ entre tantas outras que vinham sendo publicadas. “A primeira HQ onde os índios terão cor de índios” escrevi no release de divulgação desta HQ.
” Este tema dos índios canibais e os franceses pode ser aprofundado no livro de Hans Staden “Duas viagens ao Brasil”, ele foi comandante do Forte de Bertioga, e no livro descreve o tempo em que foi prisioneiro desta tribo e estava destinado a ser servido em um banquete canibal em 1553, período histórico cronológica e geograficamente muito próximo ao que eu retrato na HORA DA HORTA.
Outro livro de interesse é “A História da Capitania de São Vicente” escrita por Pedro Taques de Almeida Paes Leme, pois a capitania hereditária de São Vicente abrangia o que hoje é São Vicente, Santos, Bertioga, Guarujá, Santo André e até Piratininga ou São Paulo.
Existe uma boa bibliografia de apoio que empreguei em minha pesquisa e que corrobora a história oral que ouvi desde criança contada por minha família.
Nesta foto minha BISAVÒ, minha AVÕ, minha MÂE e EU ainda jovem em 1968, sem barba que só nasceu com treze anos de idade! --
Nesta segunda versão, a infanto-juvenil, para não “vestir” as índias com ridículos e historicamente falsos saiotes de penas de papagaios, desde os preliminares esboços e estudos já fiz uso dos BALÕES de fala dos personagens para cobrir nádegas e seios, tornando as imagens “adequadas” ao público infantil sem desenhar mentiras iconográficas; quando fazemos HQ histórica temos um grande compromisso com a maior exatidão possível da pesquisa e com o leitor, que confiará no que olha e registrará os desenhos em seu imaginário pessoal .


Agradeço a Marcos Freitas por acreditar e incentivar-me a produzir esta segunda edição repleta de "making off" e rascunhos
e ao amigo e ex-aluno Lafaiete Nascimento por aplicar os tons de cinza na pele das ìndias onde, se fosse a cores, eu teria empregado meu pigmento a basde de URUCUM

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