Clive Barker

Quem é o criador desta saga já clássica no cinema fantástico e nas histórias em quadrinhos chamada "Hellraiser"?.

Clive Barker nasceu na Inglaterra em 1952, na Liverpool dos "Beatles".

Ator de teatro, diretor de teatro e de cinema, poeta, escritor, dramaturgo e roteirista de cinema, além de artista plástico, desenhista e ilustrador.

Barker adapta sua mensagem para todos os meios de divulgação possíveis, formata-a desde ilustrações até contos ou histórias em quadrinhos. O uso de todas as linguagens de todas as mídias caracterizam-no como um verdadeiro artista multimídia.

Suas imagens são tão poéticas e ternas quanto viscerais e assustadoras, e isto deve-se à sua orientação criativa, como ele mesmo diz:

"Eu sou um junguiano, não freudiano. Eu acredito que o inconsciente coletivo -um poço de imagens e histórias que toda a humanidade herdou- existe, e que o artista.... pode criar histórias ou pinturas que dramatizem a erupção do inconsciente na nossa vida do dia a dia".

Barker criou uma mitologia pessoal forte, intensa, apaixonada, criou universos coerentes e complexos, sensuais e visuais.

"O processo criativo começa com desenhos, com o desenvolvimento da imagem...(erotismo é sobre o corpo, sobre transformação, sobre perder o controle do corpo)... Uma paixão não, é uma obsessão com uma idéia que precisa ser comunicada".

Ele apaixonou-se obsessivamente com os mínimos detalhes dos universos virtuais que constrói, quer literários, quer do cinema, e cita seus autores preferidos, os artistas plásticos: Francisco Goya, William Blake, Hieronymus Bosch - todos em contato com imagens primordiais, arquétipos, forças primais do inconsciente coletivo.

Para Barker,seus monstros são metáforas.

"Eles são nossos apetites... Nosso desejo de comer mais, de sentir mais, de ver mais... Tem atributos físicos de quem quer ter mais experiências sensuais que pessoas com olhos pequenos, narizes pequenos, pintos pequenos".

Assim surge a imagem sedutora dos cenobitas, sadomasoquistas como o "Pinhead" com sua pele perfurada por pregos, uma pele que sente intensamente, dolorosamente. Este, como todos os outros personagens e contos, saiu de um desenho inicial; Barker sempre parte do visual, plástico, do cérebro direito.

Seus desenhos apresentam imagens dentro de imagens, figuras imperceptíveis captadas e produzidas pelo inconsciente, imagens subliminares, iconesos (ícone=imagem, eso=dentro).

A CAIXA-MANDALA.CONFIGURAÇÃO DE LAMENTOS

Aquela caixa metálica, quebra-cabeça que abre as portas da dimensão infernal e liberta os cenobitas do filme é, pela criatividade barkerniana, uma "Configuração de Lamentos", lamentos tomando forma.

Estas caixas foram criadas, no universo virtual barkerniano, pelo arquiteto e cientista Phillip Lemarchand, escultor especialista em metais.

Obcecado com formas geométricas, mandalas e meditação, catedrais góticas e labirintos, Lemarchand criou um quebra-cabeça tátil, parecido com alguns engenhosos passatempos chineses, uma caixa de música que, se decifrada, toca acordes vinratórios da música das esferas pitagóricas.

O metal é fervido em fogo alquímico por 24 horas, fervido em gordura humana de pessoa ainda viva, daí são modeladas as peças e os encaixes; metade dos segredos são visuais, a outra metade é tátil, a recompensa é sonora. O cubo aberto forma uma cruz, é o simbolismo da caixa-cruz que guarda a Rosa (êxtase-prazer) e os Espinhos (agonia-dor) dos rosacruzes originais.

Seu padrão geométrico mandálico obriga à meditação, é arquétipo, como são os sons que dela saem, alteram a consciência e a percepção de quem for persistente para resolver o enigma sinestésico, pessoas com a força do desejo e da paixão.

O prêmio é o êxtase pela dor que trazem os cenobitas, transformando o corpo (tema bem barkerniano) em monstro metafórico, uma Semiótica da Monstruosidade como metáfora da paixão descontrolada e animalesca.

Cada cenobita explora a hipersensibilidade de um sentido, paladar, olfato, tato, visão...
Observe-os bem no filme, trazem lições de vida, e nisto, reside seu fascínio visual.

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