Traduzindo os Golfinhos

Formado em Medicina, o neurologista John Lilly trabalhava no Instituto Nacional de Saúde Mental , perto de Washington, durante a Guerra Fria; em 1954 temia-se muito as técnicas de lavagem cerebral russas e coreanas, e Lilly fez de sí próprio cobaia humana em uma experiência de "privação sensorial".

Mergulhado nú em água a 34 graus celsius, sem sentir calor nem frio que distraiam, boiando em um tanque escuro, sem som nem luz, flutuou livre de gravidade por muitas e muitas horas ( esta experiência dele está registrada no filme "Alterated States", no Brasil "Viagens Alucinantes"), as versões posteriores deste aparelho foram batixadas como "tanque de privação sensorial" , mas Lilly discordou do nome, para ele, ao invés de privação, houve mas é um novo tipo de sensações resultantes do cessar estimulação externa, o cérebro parecia ter buscado informação interior.

Lilly relata ter tido transes místicos, visões e até mesmo viagens astrais-saindo do corpo e indo a outros lugares: "Descobrí que sou uma combinação de milhões de organismos vivos que, somados, formam o meu ser"

A "viagem" sem sair de dentro do tanque trouxe ao cientista uma nova visão do mundo e de sí próprio, e como decorrencia lógica, passa a pesquisar aqueles que vivem livres da gravidade, flutuando na água todo o tempo, os golfinhos.

Um resumo destas experiências com golfinhos de Lilly está no filme "The Day of the Delphin", no Brasil "O dia do golfinho".

Lilly tentou mapear o cérebro dos golfinhos com eletroencefalograma, mas os golfinhos morriam. Lilly abandonou esta linha de pesquisa declarando que os golfinhos eram inteligências antigas e elevadas que não podiam sr tratadas como inferiores e cobaias; em 1976 croiu a "Fundação Humano-Golfinho" com o objetivo de estabelecer as bases da comunicação humano-golfinho, empregando computadores e sons de alta velocidade, consegue ensinar um casal de golfinhos filhotes (Joe e Rosie) a falar 30 palavras em inglês, combinando pronomes, verbos e substantivos para formar frases e comunicar-se, empregando fonética e os tratando do mesmo modo como ensinamos nossas crianças a falar, isto gerou escândalos , pois, ao contrário de papagaios, os golfinhos articulavam frases, comunicavam-se verbalmente na língua inglesa, durante uma exibição, sem gestos falou -"Joe, fundo piscina, disco plástico, trazer caixa boiando" e Joe mergulhou, pegou o disco e colocou na caixa; havia outro disco boiando, mas Joe raciocinou, escolheu, discerniu, decidiu.

Em 1972, Lilly escreve um livro popular difundindo suas pesquisas , "O centro do Ciclone" , onde afirma que se todos do planeta tivessem a consciência como a dos golfinhos, não haveria guerras, e problemas como poluição e doenças seriam velozmente resolvidas, e uma empresa que incentive seus gerentes a estas experiências místicas teria aumento de produtividade, soluções criativas às crises e melhores relações com o público.

Já em 1983, a conferência de Lilly na Universidade Berkeley atrai o ódio de religiosos e o ridículo da mídia, ao afirmar que os golfinhos tem uma cultura e que podem pensar como os padrões humanos, tendo uma ética e uma política; quando um golfinho é ferido, os outros o ajudam a nadar e todo o grupo retarda a velocidade, eles o carregam e alimentam até ficar curado, solidários.

Questão proposta por uma pessoa do público: - "Se os golfinhos são de fato tão inteligentes, porquê não dominam o mundo?".

Resposta de Lilly:- "Talvez eles sejam tão inteligentes que não queiram isto, querer dominar o mundo é apenas uma tentativa frustrada de dominar sua própria realidade interna, o que revela insegurança".

Além de Lilly, muitos outros cientistas pesquisaram a comunicação por sonar dos golfinhos; a equipe de MARKOV, do Instituto de Morfologia Evolutiva e Ecologia dos Animais da Academia de Ciências da Rússia deu continuidade às pesquisas e Lilly.

Vladimir Markov pesquisou golfinhos vivos no golfinário de Karadag, no Azerjaibão, e publicou os resultados em artigos nos quais defende a existência de um idioma sofisticado falado pelos golfinhos.

O Idioma Golfinho seria composto de 51 sons de impulsão e 9 tipos de assobios tonais, seria o alfabeto básico (como as vogais I, E, A, O, U e as consoantes B, C, D, etc), porém é apenas a sintaxe, para Markov, a gramática e o dicionário-conceitos-conteúdo é complexo demais para ser compreendido pelo cérebro humano.

Estas pesquisas não costumam ser pautadas e divulgadas na mídia internacional por serem chocantes demais para a mentalidade do grande público, e por chocarem-se com dogmas religiosos e políticos vigentes, sendo considerados matéria proibida ou mera curiosidade a ser publicada como assunto exótico ou ridículo, e exposto apenas para escárnio e zombaria.

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