Rasputin artista escultor



Rasputin, ao centro, rodeado por várias mulheres... Rasputin é um nome ligado a poderes paranormais, misticismo e mistérios, mas sua vida é muito mais interessante do que isto, um escultor de imagens religiosas e dançarino incansável.
Grigori Efimovtiz Novy, Rasputin, ou GRICHA, como era chamado pelos amigos, nasceu em 1864 em um posto de estrada, um pequeno vilarejo chamado Pokrovskoia na Sibéria, Rússia, na estrada para Tobolsk que leva para o santuário de Werchoturie, filho do cocheiro e guia local que levava os peregrinos ao santuário, Efin Andreievtz e da dona de casa Anna Iegorovna.




A supersticiosa Rússia era um celeiro de seitas religiosas extremistas e radicais, como os "Skoptzy" que se castravam para alcançar a pureza da castidade; os "Bespopovtzy" que não aceitavam autoridades religiosas ou chefes centrais intermediando seu caminho direto com Deus; e os "KLYSTI" ou "KHLYSTYS", liderados pelo monge Makario, que praticavam o conhecer profundamente os pecados praticando-os para, exauridos e enfastiados, desistir da tentação, recorde-se de que o poeta português Fernando Antonio Nogueira Pessoa aos cinco anos adoeceu de tuberculose, doença pulmonar que aguça os sentidos (ouvidos de tuberculoso - diz o ditado popular), sensibilidade que Pessoa descreveu como "sentir tudo de todas as maneiras". Para o artista e poeta místico WILLIAN BLAKE, "os caminhos dos excessos levam à sabedoria" e o poeta ARTHUR RIMBAUD deixou todo este segredo explícito ao descrever sua Alquimia do Verbo, afirmando que "o Poeta se faz vidente por meio de um longo, intenso e racional desregramento de todos os sentidos..." tal hipersensibilidade amplia o horizonte da percepção, o que Huxley chamou como título de seu famoso livro : "As portas da Percepção", inspirado em poema de Blake e inspirando o conjunto musical THE DOORS, esta mesma metodologia existe na Índia com certas seitas de Tantra da mão esquerda.

Os "KHLYSTYS" pregavam uma profecia de que Deus periodicamente reencarna em um humilde camponês para reviver a carne e andar entre os homens, conceito similar ao dos Avatares indianos, membros destas seitas eram os passageiros da carruagem dirigida pelo seu pai acompanhado dele, Rasputin, que ouvia estas discussões teológicas desde muito jovem onde sempre citavam-se os STARETS, homens santos destinados a guiar consciências e espalhar a benção do divino amor entre o povo, e os peregrinos andarilhos Strannik , que cruzavam toda a Rússia visitando cada local sagrado e conheciam todas as narrativas místicas de cada região, cada oração, benção ou prece folclórica .

Em um acidente da tenra infância, Rasputin e seu irmão caem no rio gelado, ficam acamados semanas, o irmão morre, mas Rasputin sobrevive miraculosamente e passa a sentir-se escolhido por Deus.

Rasputin aprendeu a ler muito cedo, algo muito raro entre os camponeses, e o ambiente extremamente religioso o levou a estudar a simbologia do cristianismo ortodoxo seus santos, a hagiografia – vida dos santos e a simbologia de cada um, formas, cores, símbolos, animais etc. ligados à vida de cada starets ou santo, passando a esculpir imagens deles e vender estes ícones aos passageiros da carroça de seu pai e até receber encomendas de igrejas para esculpir santos para seus nichos e altares.

Aos dez anos de idade já tinha deflorado uma menina de onze anos, Lenochka Verochaka.

E aos onze anos ouviu uma voz que denunciou-lhe quem era o ladrão de cavalos do vilarejo, o que foi confirmado.

Já adolescente, recolheu-se ao mosteiro do santuário de Werchoturie estudando iconografia e esculpindo estátuas e oratórios religiosos, na biblioteca teria lido os livros de hipnotismo de Jean Martin Charcot e Franz Anton Mesmer, aperfeiçoando seu talento natural de sugestionar e seduzir; e foi dentro das paredes sagradas do santuário de Werchoturie onde seduziu e desvirginou Sinaida Nicolaievna que ali trancada esperava ter idade para casar, prometida ao nobre conde Félix Youssourov Sumarokov-Elston, ele que depois seria o divulgador da história de Rasputin por toda Europa e pelo mundo, uma estranha ironia que será explicada a seguir.

Saindo do mosteiro volta a seu vilarejo, um lugar de seu nascimento de força telúrica, linha lei, para onde sempre retornará por toda a vida para recarregar suas forças em contato com a terra-mãe, ali casa-se com Prascovia Federovna Dubrovin com quem terá três filhas, Matrona, Varia e Mitia.

Agora homem feito, adulto, Rasputin é alto, parece magro, mas é musculoso e muito forte, com uma resistência física sobre humana, um apetite sexual insaciável, resistência a bebida, incansável dançarino, olhos cinzentos claros, transparentes e profundos, cabelos longos e longa barba negra, vestido sempre com roupas velhas de camponês, amável com todos mas por vezes tomado de ataques de fúria quebrando móveis mas raramente ferindo alguém, e depois retorna a seu bom humor e cordialidade gentil de sempre.

Rasputin cura doentes que vem procurá-lo de toda parte e nunca cobra nada. Conversa com os cavalos e os acalma, sua fama de homem santo espalha-se rapidamente e supera a fama de escultor de santos.

"Antes de tudo é preciso amar o doente", diz Rasputin, e após cada cura fica exausto, extenuado e empalidece, chega a cair quase desfalecido, e procura tocar a terra, recebendo energia telúrica e recarregando-se, ou faz sexo por horas, o que o revigora e re-energiza, cada vez mais cresce sua atração sobre as mulheres, exerce um poder viril, energia masculina avassaladora e irrestível, uma força de virilidade primitiva, primal.



Foi chamado ao convento de Ochtov nos Urais para curar uma freira noviça possuída pelo Diabo, Marfa Alvkina, Rasputin a cura com muitas sessões longas de sexo intenso, ela, curada, abandona a batina, sai do convento e dedica-se a seguir Rasputin por toda sua vida.

Crescem os boatos de que Rasputin é um Staret, um condutor das almas dos homens, um milagreiro infalível, mas Rasputin sempre insiste em negar e dizer que quem cura é Deus e ele apenas é o instrumento que oferece-se para deixar fluir a energia do espírito divino- "sou um instrumento de deus, eu nunca curei ninguém, Ele cura através de mim".

Rasputin prega um Panteísmo, ecumenismo, tolerância e pacifismo: "através da natureza se encontra Deus", "cada homem ao nascer já tem a sua própria bíblia escrita em seu coração", "o amor move tudo, o amor é a verdade (Pravda)", "tudo será perdoado ao homem, roubo, assassinato, luxúria, mas jamais a hipocrisia".

Em 1903, Rasputin vai a São Petesbrugo, Capital da Rússia e lar do Czar Nicolau II e da Czarina Alexandra Feodorovna, da família Romanoff, lá coleciona amantes aristocratas e as condessas irmãs Stana e Miliza o apresentam a czarina, que tomava banho nua a noite no manancial do convento Sarov, como uma simpatia para ter um filho homem, pois só tinha 4 filhas, ali aparece-lhe Rasputin que profetiza o nascimento do varão, que um ano depois nasce como descrito por ele, dia 30 de julho de 1904, Alexandre Nicolaievtiz Romanoff, hemofílico, que a qualquer corte sangraria até a morte (cada vez que se cortava ou tinha um hematoma-hemorragia subcutânea- chamavam Rasputin que colocava o dedo sobre a ferida e ordenava que cicatrizasse, o que acontecia todas as vezes confirmando os poderes do milagreiro, coisa que nem o mago tibetano da czarina, Batmaiev, conseguia).

Rasputin passa a morar no apartamento 20 do número 64 da rua Gorokhovaia, onde toda a noite realizava orgias e bacanais com muitas mulheres, a maioria aristocratas (uma das freqüentadoras destas orgias e amante fixa de Rasputin é a condessa mãe de Félix, aquele mesmo cuja noiva Rasputin desvirginou no santuário Werchoturie).

Duma, presidente do parlamento russo, colecionava cartas de mães queixando-se de que Rasputin haveria deflorado suas filhas.

Patrocinado pela czarina, Rasputin viaja por Constantinopla, Jerusalém e toda a Europa, conhecendo lugares santos.

Rasputin recebe fortunas de presente das nobres, mas as distribui generosamente para quem precisa, e periodicamente retorna a seu vilarejo natal onde reside sua esposa e filhas.

Em junho de 1914 as tropas do Kaiser Wilhelm II da Alemanha invadem a Polônia, Rasputin exige do czar – a quem chamava de paizinho, a assinar um tratado com o Kaiser para impedir que invada a Rússia, e com este acordo a Rússia rompe com a França e a Inglaterra, o pacifismo de Rasputin também inicia projetos de reforma agrária beneficiando os camponeses e decretos do czar acabando com as perseguições as minorias e a discriminação contra os judeus.

O arquimandrista Teofano contratou a ex-amante de Rasputin, Marta Gussewa, para matá-lo, ela é recebida com alegria e o esfaqueia no estomago gritando "matei o anticristo!", embora ferido, Rasputin recupera-se rapidamente e a czarina ordena a polícia que passe a escoltar e proteger Rasputin, nomeando-o LAMPADNIK, o funcionário responsável por todos os ícones religiosos da Rússia, cargo condizente com seu erudito conhecimento de iconografia sacra, pois esculpia estatuas de santos desde muito jovem em seu vilarejo, iconografia sacra era talvez o assunto que melhor conhecia, depois de satisfazer as mulheres na cama.

Na Páscoa de 1916 na capela de Feodorovsky Sobor, Rasputin tem uma visão e diz a czarina a seu lado que ela prepare-se, pois ele viu a si próprio morto e seu próprio velório naquela capela.

Em um desfile passa a carruagem de Stolypin, um influente político, e o LAMPADNIK Rasputin grita tomado de um transe visionário um aviso profético : "a morte vem para você", na noite seguinte um revolucionário marxista atira nele em um teatro e o político morre na hora.

Sinaida Nicolaievna, aquela jovem do santuário de Werchoturie desvirginada por Rasputin, retorna da Europa já casada com o conde Félix, reencontra Rasputin e torna-se sua amante, Félix descobre que sua própria mãe e sua esposa são ambas amantes de Rasputin, e que o Lampadnik foi quem deforou sua noivinha, e fica muito, muito irritado com isto.

O rancoroso e vingativo Conde Félix convida Rasputin para uma orgia sexual em seu palácio afastado da cidade, e ali, junto com os nobres Rodzianko, Purichkewitz e Dimitri (generalíssimo de todos os exércitos e filho do tio do czar) prepara o assassinato de Rasputin.

Rasputin adora vinho Madeira, toma garrafas inteiras deste caro vinho português importado da Ilha da Madeira, Félix entrega-lhe uma garrafa envenenada com cianureto de potássio, acompanhada de pastéis doces feitos com cianureto de potássio, doses cavalares capazes de matar vários homens, mas rasputin vai bebendo e devorando os pastéis sem dar sinal de envenenamento, e ao acabar riu e disse. "vamos agora amar as ciganas?"; Félix desespera-se e dá um tiro no pescoço de Rasputin, que não cai, ao contrário, levanta-se sangrando e corre ágil para agarrar Félix, que apavorado sai para o corredor e tranca a porta do salão, apenas para ouvir Rasputin urrando e socando a porta, quebrando a grossa madeira.

Félix corre a chamar os cúmplices na outra sala ao fim do corredor, ao chegarem Rasputin arrombara a porta e já saia para o pátio gelado coberto de neve, todos sacam as pistolas e atiram nele ao mesmo tempo, cinco balas estavam em seu corpo quando cai, todos correm e passam a surrá-lo e esfaqueá-lo, acorrentam o cadáver, colocam em um saco, amarram o saco e o atiram nas águas geladas do rio Neva.

Quando o saco é encontrado, as correntes estão rompidas e suas mãos estão no peito como que orando, a autópsia dá como causa da morte afogamento, pela água nos pulmões, não foi morto pelo veneno constatado nem pelos tiros, facadas nem esfaqueamento.

Rasputin tem seu velório na capela de Feodorovsky Sobor, exatamente onde teve a visão antes do próprio velório, capela onde também é enterrado com honras de Lampadinik e de homem santo, um Starets.

Félix foge para Paris, onde vive de suas palestras sobre Rasputin, seus livros sobre o milagreiro russo, e por toda a vida é condenado a ficar repetindo e revivendo sua história do assassinato de Rasputin, amante da mãe de Félix e que desvirginou sua noiva e também foi amante dela, já esposa.

Em 1917 ocorre a Revolução Comunista de Lênin, a dinastia Romanoff é assassinada, e depois a URSS padece do governo de Stalin que mata de fome centenas de camponeses e persegue judeus em Pogrons.

O exercito vermelho DESTROI no tumulo de Rasputin que tinha tornado-se objeto de culto e romaria religiosa.

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